segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Ponta Porã

ginta
Nasci aqui, bem perto da linha de divisa com o Paraguai, em 07 de Março de 1957. Em 1966 o nosso pai foi transferido para Campo Grande e depois para Amambai. Claro que voltei muitas vezes, ainda guri com 15 anos, quando ainda eram vivos a Vó Izaura e o Vô Belarmino. Depois que fui para Curitiba em 1972 voltei pela última vez em 1975. Agora, 35 anos depois voltei pra ver a cidade onde nasci.
Dos muitos lugares que revi, a igreja de São José me lembrou os primeiros anos no Colégio das Freiras e a minha primeira comunhão. Na mesma rua, do outro lado, o prédio do Cine Cruzeiro - hoje uma Igreja Evangélica - onde assistimos os primeiros filmes do Tarzam.
A cidade tem um movimento incrível em razão do comércio no Paraguai, a Av. Internacional é uma divisa seca que separa os dois países e o comércio de importados é a grande atração.
O Shopping China é fantástico, coisa de primeiro mundo, paraiso do consumo, loja gigantesca com tudo o que vc. possa imaginar - roupas, perfumes, bebidas, eletrônicos, etc - e uma praça de alimentação com Burger King, Vivenda do Camarão, comida mineira - que for até lá, leve dinheiro, porque as tentações são grandes.
Ficamos dois dias na casa da tia Ranulfa, com o Robson e a Kattyusa, foi muito gostoso e divertido. Fizemos churrasco, a Kattyusa (um doce de garota) nos ensinou a dançar chamamé. Há! tem também uma figura que só se acredita vendo, o Louro (sem nome). Vejam as fotos.
Tive a oportunidade de conhecer o V. Diesel, ator americano que estava em P.Porã. O cara é muito simpático.









Eu o V. Diesel na noite de reveillon.











Angelita e Kathyusa




Esse é o Louro sem nome. Figuraço!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Mataram o Panduí


Procurei e não encontrei, onde estão as praias do Panduí? Uma velha cigarra cantou me chamando e apontou onde estava o lugar, sibilou mais alto pra me contar o que fizeram com o Panduí.
As águas diáfanas do meu rio não tinha as pedras brancas, parecendo ovos de dinosauro, igual o rio de Mocambo*, contudo tinha nas areais brancas a dança dos lambaris brincando n'água doce com o guri que lá nadou.
O que fizeram com o Panduí? Onde está aquele rio de águas calmas, belo e grande que refrescava o guri? O que houve com o muro de pedra que com forçava segurava a correnteza fazendo um calmo lago de águas mais fundas; águas brancas que se embarravam com a cavalhada do 17 que no meio da tarde desciam o barranco pra matar a sede. Perguntei pra velha cigarra o que fizeram com o Panduí; quem escavou a terra e arrancou as pedras, quem feriu os barrancos; por quê assoreou o rio que do belo e grande restou apenas um fio de água que corre triste pelo leito estreito; das águas que rompiam a muralha da represa formando uma bela cachoeira, agora rompida pelo descaso, o fio de água triste passa vergonhoso pelos escombros das pedras que ficaram. Sentei nas pedras, chorei e perguntei para a velha cigarra: Quem matou o Panduí?
A burrice, o descaso e a incompetência dos homens que comandam a cidade mataram o Panduí. Existe um órgão - IBAMA - cujos funcionários que têm por obrigação proteger o meio ambiente, ficam em seus gabinetes com ar condicionado unicamente preocupados com seu próximo contra-cheque e num total faz de contas que protegem as araras, macacos e papagaios; enquanto isto os rios e os peixes estão desaparecendo por falta de fiscalização. É o reinado da incompetência destes funcionários públicos desta farsa chamada IBAMA. Há pouco tempo os meninos do KLB foram processados por que tinham em casa um papagaio. Alguém denunciou e o tal do IBAMA prontamente entrou em ação, foi até a casa dos meninos, com força policial, com um mandado judicial de busca e apreensão do louro. Pra este tipo de ação midiática eles estão prontos a qualquer hora do dia ou da noite. Todavia, para salvar um rio, proibir a extração de pedras das suas margens, evitar a contaminação com agrotóxicos jogados no rio pelos produtores rurais da região, nenhum daqueles eficientes fiscais do IBAMA entrou em ação. Certamente estavam adicionando valores nos seus contra-cheques.


Procurando o Panduí

O Canto da Cigarra

A represa não suportou a incompetência e
o descaso dos governantes da cidade


O rio aos poucos perdeu o leito e se tornou
um fio d'agua que escorre pelos canais da
burrice dos homens que governam a cidade.

Eu voltei


Voltei e sentei no muro da casa n° 3. Trinta e cinco anos se foram, parece que foi ontem que brincamos com os frutos da mamona verde, ora fazendo de munição para a funda*, ora fazendo vez de gado na fazenda. No muro da casa três, no final da tarde sentava a gurizada pr falar das aventuranças do dia, das bagunças no GEDAC*, falar mal do tenente Migliorance, das filhas do Fagundes, das andanças no Panduí e do futebol no piso quente da quadra de salão.
Lá estava, bem de frente, a caixa d'água. Majestosa, imponente, assutadora de tão alta, toda de branco e mostrando a inscrição do 17° RC para quem chegasse ao fim da tarde, vindo de Mundo Novo, Iguatemi ou Coronel Sapucaia.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Chegando em Amambai



Trinta e cinco anos, três meses e nove dias depois, eu voltei. Não voltei pra ficar, voltei pra ver no que se transformou aquilo que aqui deixei.
A menina feia de ruas empoeiradas ficou bonita, iluminada; singela de cor morena, ficou mais velha, mais cheia de gente, colorida na noite, quente no dia.
Ao mesmo tempo que me recebeu com festa, também me puxou a orelha pela demora em voltar; se fechou nas nuvens, escureceu, fez chuva, ventos e raios para depois se abrir ao sol dando boas vindas ao menino que um dia saiu e nunca voltava, nunca voltava e agora voltou.
Conversei com muita gente, procurei as pessoas de mais idade para relembrar aqueles tempos e, dentre eles, conheci (ou reconheci) o Sr. Sadi Nunes, hoje com mais de oitenta anos e que vive em Amabai desde 1954.


O Primeiro video da chegada ao som de Credence C Reveval

Fazendo Lanche - depois da chuva

De manhã na praça

Natal 2010 em Marmeleiro


Neste final de ano passamos o natal em Marmeleiro, na casa da Jane "Maria". Casa nova, casa de diretoria com direito a piscina com churrasqueira e outras mordomias. Na noite de natal fizemos a bricandeira do amigo secreto e depois do "inimigo" secreto, foi muito divertido.
A casa dos Correias/Witiuk é show, nota dez pro negão e para a Jane Maria que trabalharam muito e conseguiram realizar o sonho da casa nova. Mas não pensem que é uma casa qualquer, um pouco maior que uma meia água a casinha tem quatro suites, salinha de estar com algo próximo de cincoenta metros quadrados, com direito a lareira; piscina com churrasqueira, garagem pra uns dez carros, adega subterrânea (chique né?); campinho de futebol (se bem que pai e filho tem uma certa deficiência técnica no futebol...mas... tudo bem...vamos adiante).
A casa estava lotada, Eu a Ange e o Jota; o Elio, Verônica, Kamille (com K e dois "ll") e o tranquilão do Cassiano e a Vó Vani que acabei de devolver para o Luis.
Na Noite de Natal ainda estavam por lá o Tiozão Ivomar e as Witiukas Nani, Giulia e Giuliana.

Foi muito bonita a união da Família, parabéns à Jane e ao Luis que não mediram esforços para que, depois de mais de vinte anos, reunir todos os filhos, nora, genro e netos. A troca de presentes foi um momento de muita alegria, brincadeiras, piadas, diversão e... muitos presentes, claro.

Na beira da piscina rolou muita caipirinha, cerveja e churrasco, fora os cafés das manhãs, almoços e jantares que estavam uma delícia.

Tudo ficou muito mais pefeito com o caminhão de carinho, alegria e simpatia que o negão e a muié tiveram com todos nestes três dias de natal.

Parabéns ao casal. Beijos no coração e obrigado.

Zeca/Angelita/Joao Gabriel
FOTOS DA ENTREGA DOS PRESENTES

Verônica na hora da entrega do presente do seu amigo secreto falou assim: Meu amigo é moreno, alto, bonito e sensual, não tem barriga, é inteligente e... pronto bastou, me aproximei meio sem jeito porque assim, com essa descrição, só podia ser eu né? O meu amigo secreto é esse que aparece aí com a mão no saco vermelho do papai noel, o Cassiano, claro. Olha o Ivomar, fêz um discurso daqueles bem "puxa" pra elogiar a sogra que era a sua amiga secreta. E o "xunxo" que a Jane e a Giulia fizeram no sorteio, viram? A Jane tirou o nome da Maria Luisa e o Luis tirou o nome do João. Pode!!!!







domingo, 4 de abril de 2010

Páscoa em Marmeleiro


Nessa Páscoa fomos para

Marmeleiro e Fco. Beltrão. Eu e a Ang. O Jota ficou em casa com a Duda.
Na Sexta-feira jantamos na casa do matão, do Luis e da Jane, e o prato no almoço, é claro, foi peixe temperado e assado pelo tio Lary.
À noite o prato foi Bacalhau ensopado feito pela tia do Luis, D. Marina. Estava tudo muito gostoso.
No sábado fomos até a Argentina comprar vinho.
Na noite de sábado de Aleluia a janta foi no Clube Santa Fé, churrasquinho de gato preparado pelo tiozão Ivomar. Tava muito gostoso. As fotos foram tiradas no sábado.








sexta-feira, 26 de março de 2010

Adeus a um Companheiro de 36 anos


Nesta semana, após muita reflexão e em concenso com a Angelita e o Jota, resolvi me desfazer de um velho companheiro que vivia comigo há mais de 36 anos.




MEU BIGODE........

Essa parceria se iniciou lá por volta de meados dos anos 70 e desde então me acompanha. Os problemas começaram há mais ou menos dez anos atrás quando o velho bigode não conseguia manter a sua cor original e, volta e meia, precisava de uns retoques para repor a sua cor original. Mas, a gota dágua veio nesta semana quando fui até um cartório para reconhecer uma firma e, chegando lá, observei uma longa fila, me dirigi a uma moça da recepção e peguntei-lhe:

- Moça, essa fila é para reconhecer firma?

- Sim, respondeu. - Mas o Sr. pode pegar uma senha especial e se dirigir para esta outra fila - continou a moça e me indicou a fila dos idosos!!!!

Pode???
Voltei pra casa e iniciei um processo de rejuvenescimento. O Primeiro passo foi tirar o bigode branco e a seguir vou fazer uma plástica e colocar aparelho nos dentes pra parecer mais jovem. Rá rá rá!!!!!
Vejam as fotos:

terça-feira, 9 de março de 2010

53 aninhos de vida. Me sinto um guri.



07 de março de 2010.
Cincoenta e três anos se passaram desde aquele 7 de março de 1957.
Não consigo entender o que está acontecendo comigo. Acordo de madrugada, vou ao banheiro e me olhando no espelho vejo a figura de um guri, um espirito, uma imagem que não sou eu; quem será então este que do outro lado me olha e com um sorriso maroto me chama para brincar?
Ainda meio dormindo me assusto. Depois reconheço quem é o moleque.
- Brincar do quê? pergunto.
- De fazendeiro. Responde o garoto. Com os sabugos de milho, com as latinhas vazias de sardinha e mamonas verdes, que serão as casas e os galpões das nossas fazendas; nossos carros e as nossas centenas de bois passeando pelos pastos.
- Hummm! não sei se quero brincar de fazendeiro. Respondo.
- Tenho outra idéia, diz o garoto: vamos tomar banho pelado no Panduí?

É domingo, cinco horas da manhã, volto para a cama, adormeço e logo mergulho de cabeça no sonho de tomar banho nas águas diáfanas do Panduí.
As águas do rio da minha cidade não tinham pedras brancas, grandes e parecidas com ovos de dinossauro, iguais aos rios de macombo, da cidade de Gabriel Garcia Marques em cem anos de solidão, mas era o meu rio.

domingo, 20 de setembro de 2009

Largo da Ordem




Domingo de Sol em Curitiba, lá vamos nós, eu e a Angelita, dar uma passeada no Largo da Ordem.
Comprar alguma coisa, comer um doce ou um salgadinho, qualquer coisa vale a pena nesse passeio de domingo de manhã.

Visitando o Sêbo do gato - pra quem não sabe é um sêbo, no final da São Francisco, bem no centro do Largo onde tem um gato preto, lindo, que nos dias de semana fica lá fora na calçada. No domingo, com muita gente entrando e saindo o gatão fica no balcão dormindo no saco.

Estou lá olhando e fuçando as prateleiras em busca de algum livro do Arthur Healey quando avisto o meu amigo Roberto - Rober Abu Hanna - Médico do trabalho e meu parceiro de trabalho.

Dei-lhe uma encoxada, por detrás e, depois do susto, ficamos conversando enquanto a Angelita procurava alguns livros.

Depois, andando por entre as centenhas de barracas, ao lado da igreja da ordem, ouvi uma voz: Zéca, Zéca, Zeca. olhei. Era a Raquel, velha amiga que tem um banca de bijouterias.
Oi! como vai, como vai, como vai?
tudo bem, tudo bem, bem?
Estou bem, bem, bem, bembem!
Seguimos em frente.
Uma passadinha na barraca de bolinhos de bacalhau e voltamos pra casa que o filé mignon estava no forno assando.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Jorge Luiz



Meu grande amigo Jorge Luiz Farias. Isso mesmo - Farias - é meu parente. Meu irmão de coração. Nos conhecemos na Faculdade de Direito lá pelos anos 90 e o cara tem tantas estórias, que vivemos juntos algumas, que daria um capítulo inteiro no livro da minha vida. O Jorjão, como chamamos, tem um coração de moça; de uma gentileza com os outros que chega a dar raiva (rssss)e se tiver alguém que diga que não gosta desse cara...esse alguém não vai pro céu. É im-pos-si-vel não gostar desse negrão.
Pai do Junior e da Iria o cara é mandado pela D. rose, que é a sua dona.
Vou continuar a escrever sobre "o cara"...
aguardem.

sábado, 6 de junho de 2009

Chuvas de Verão


Quase que todas as tardes os nossos passeios pelo longo do rio Panduí era uma diversão sem igual. Andando na direção das águas, sem se importar com o tempo e com os perigos em mais uma de nossas expedições, seguiamos rio abaixo pouco mais de dois quilômetros da barragem onde funcionava a velha usina hidrelétrica já desativada.

Era tarde de verão. O céu escureceu rapidamente, parecia anunciação do fim do mundo.
O calor de mais de quarenta graus parecia confirmar que daquele dia o mundo não passava.
A cor escura do céu misturava-se com o escuro da mata verde formando uma enorme penumbra que nos dava medo.
O cheiro forte da terra que se levantava, empurrada pelos fortes ventos ardia nas nossas narinas, apesar disso nossos olhos insistiam teimosamente em permanecer abertos para assistir aquilo que nos parecia o espetáculo do apocalipse.

O quero-quero gritava no desespero do ninho arrancado do solo, os pés de guaviras balançavam roçando a moita de capim barba de bode, uns aos outros, se tocando até o horizonte do fim dos campos que se estendiam por muitos acres.


No céu os estrondos dos trovões mostravam a ira de thor que com o seu martelo, furiosamente batendo na forja, explodia em raios que riscavam o céu soltando línguas de fogo que iluminavam o negro do dia que virou noite.

Assustados ficamos calados, petrificados, somente nossos olhos viravam de um lado para outro.
Os mais novos iniciaram choro, os mais velhos mudos e não menos amedontrados começavam também a perceber que algo muito estranho estava acontecendo.

Em poucos minutos desabou o mundo em nossas cabeças, a chuva era torrencial.

Em uma das muitas curvas do panduí, aquela era a nossa preferida, onde o rio formava uma grande piscina natural, de água pouco profunda e límpida, algumas pedras que junto com os galhos das árvores nos serviam de trampolim, faziam daquele ponto, logo abaixo da represa, o nosso lugar favorito para os banhos nos quentes dias de verão. Logo após o almoço saíamos em bando de oito, dez ou mais guris, correndo pelos campos em poucos minutos se chegava ao ponto preferido.

As tormentas no meio tarde eram comuns naquela época do ano e não foram raras as vezes, mesmo abaixo de chuva ninguém saia da água morna pelo calor do verão, agora com a chuva a água esfriava tornando o banho muito mais gostoso.

No negro da escuridão, por entre as árvores, o barulho do vento começou a dar lugar a algo parecido com um sopro leve, misturou se ao ar um cheiro adocicado, doce de coco, não! talvez de leite, misturado com rapadura e mel de cana, era gostoso aquele aroma que agora tomava o lugar do cheiro da terra.

De repente, diante de nossos olhos, as águas do panduí começaram a borbulhar, uma fina névoa levantou-se sobre as poucas pedras, os peixes num fantástico espetáculo saltitavam aos milhares, lambaris, pequenos bagres e cascudos levantavam e levitavam no ar, queriam subir em busca do cheiro doce que tomou conta do lugar. As flores do mato abriam e fechavam suas pétalas, as árvores como que enlouqecidas por algo mágico e sobrenatural balançavam seus galhos para o alto, pareciam, igual aos peixes, reverenciar algo que vinha do céu.

Os pardais e tico-ticos se aproximaram em bando, quase tocavam as águas que parecia ferver em bolhas.

O quero-quero que antes gritava no desespero aquietou-se e a enorme sucuri preguiçosamente enrolou-se sobre a grande pedra pondo-se a observar o que estava por vir.

Parados dentro da água começamos a ouvir uma música que no início parecia vir de londe, devagar foi aumentando aquele som de centenas de harpas que tocavam um concerto de um hino de glória. Parecia a voz de um anjo vindo do céu.

Não se sabia de onde vinha, junto com o cheiro doce, para qualquer ponto que se olhava se ouvia e se cheirava aquilo tudo.

Em perfeita harmonia com as harpas os violinos acompanhavam a melodia que descia do céu, ouvia-se por tudo, era acalentador e ao mesmo tempo assustador. o que seria aquilo, começamos a nos perguntar, e a vontade de chorar já não mais existia, o medo passou.

Os peixes voltaram às águas, os pássaros se calaram, as árvores acalmaram seus galhos e um raio de luz iniciou sua entrada por entre a copa das árvores, levemente ao som das harpas e violinos a luz foi se fortalecendo, se alongando em direção ao rio, ás águas que já não borbulhavam tornaram-se prateadas, brilhavam resplandecendo a luz que vinha do céu.

O feixe de luz branca tocou a água, seu brilho quase ofuscava nossos olhos, a música, o gostoso cheiro de doce, atordoados nos juntamos bem próximos, quase abraçados,todos os pelos de nossos pequenos corpos se arrepiavam, os olhos não piscavam quando uma imagem começou a se formar, era mulher, em forma de anjo, não se podia ver claramente na imagem embaçada que se formou, uma mulher com roupas brancas e longas desceu suavemente por dentro do feixe de luz tocando levemente a fina superfície da água.

Seus pés não apareciam, estavam totalmente cobertos pelo longo manto branco que a cobria, seus braços caídos ao longo do corpo mostravam suas mãos abertas, com as palmas voltadas para nós. Seus cabelos eram negros e longos, seu rosto era bonito, coberto por um pequeno manto que caía sobre seus ombros e irradiava uma áurea em forma de coroa.

Com um sorriso encantador, fazendo um leve movimento com a cabeça e com as mãos indicava para que saíssemos da água, que fôssemos todos para a margem do rio.

Lentamente iniciamos a saída, devagar fomos todos subindo o pequeno barranco de pouco mais de três metros, já no alto, fora da água, olhando para trás percebemos que a luz foi lentamente se apagando e quando já estavámos todos sentados no barranco, de repente, pudemos ver o turbilhão de água que desceu o rio, arrasando os matos das beiradas, levando tudo em violenta enxurrada, arrazadora desceu destruindo tudo o que havia pela frente.

Foram poucos minutos em que assistimos algo nunca visto.

Um pedaço da velha barragem, que estava logo acima do nosso local de banho, não suportou o peso das água que continha, havia se rompido soltando milhões de litros de água que lá estavam represados.

A chuva parou, a luz voltou e o sol tornou a esquentar a tarde de verão.

Nossos banhos passaram a ser em outro local, próximo à nascente do panduí, acima da represa e da ponte.

Prometemos nada dizer a ninguém sobre o que aconteceu até que a linda senhora voltasse a aparecer para um de nós.

O Cassineiro


Essa história aconteceu no 17º RC em Amambai - MS lá pelo início dos anos 70, em pleno regime militar.

No exército a hierarquia sempre foi a base da disciplina castrense, presente em todos os lugares e situações. Tudo é absolutamente dividido de forma a separar os militares de acordo com os cargos e postos que cada individuo ocupa na pirâmide de comando. Ao marchar, o mais graduado segue na frente e o soldado raso marca o passo nas fileiras posteriores. E dentro das categorias iguais, a altura do indivíduo determina quem vai na frente de quem.

A hierarquia se vislumbra de forma inequívoca também nos acampamentos militares. No tamanho das barracas se apercebe a importância do posto e o tipo de divisa. As barracas dos soldados são minúsculas tendas, pequenas e insuficientes para não permitir que alguém fique em pé no seu interior; medem aproximadamente dois metros quadrados e com menos de um na altura, permitindo que no seu interior o soldado permaneça tão somente, no máximo, ajoelhado. Ainda, pior, é a divisão obrigatória, de tão pequeno espaço, com um colegas de farda. A cama se resume em uma manta verde oliva que não oferece qualquer conforto.

A barraca destinada aos oficiais, pela importância do posto, é mais benevolente com os seus ocupantes, tem tamanho suficiente para abrigar pelo menos dez militares, todos em pé e confortavelmente instalados com camas de campanha, mesa, pequenos armários e outros itens de conforto inexistentes nos pequenos casulos do soldado raso.

No quartel do 17º RC em Amambai, no momento das refeições, ali na caserna ou em acampamento, a separação hierárquica não poderia ser diferente. Para os soldados o local de alimentação é o local denominado "rancho", espécie de grande restaurante, tipo self service, onde todos , em filas rigorosa e disciplinarmente organizadas servem-se em grandes bandeijões feito de alumínio, cada tipo de comida é militarmente disposta em pequenas divisões pré-determinada. Todos os alimentos eram tirados de enormes panelões, o arroz, o macarrão, feijão e a carne, como em qualquer restaurante do tipo de auto serviço pode ser servido à vontade e a carne, ao contrário, era controlada por alguém do rancho para se evitar os excessos. servia-se como sobremesa suco, pedaço de pão e uma fruta da época.

Os alimentos eram preparados pelos próprios soldados que foram selecionados no processo de incorporação ao serviço militar. A chefia do rancho ficava a cargo de um sargento que tinha como auxiliar um cabo e alguns soldados que faziam os serviços de cozinheiros, auxiliares de cozinha e todas as atividades inerentes ao cargo.

Os cassinos eram os locais de alimentação dos sargentos e dos oficiais, de menor tamanho eram mais privilegiados nas instalações e nos serviços e o preparo dos alimentos era separado dos soldados e de melhor qualidade e quantidade.

Enquanto os recrutas se serviam os sargentos e oficiais, nos seus cassinos, eram servidos por soldados que vestindo jaleco branco eram transformados em garçons e chamados de cassineiros.

Era tolerado que o sargento ou o oficial, vez ou outra, levasse um familiar para almoçar no seu cassino em sua companhia, e não era raro, no almoço, sempre haver um filho ou esposa de alguém que fazia companhia ao pai ou marido, sargento ou oficial.

Pedro Abelardo Nunes, o Nunes, havia incorporado no início dos anos setenta e há seis meses fora designado para ser o garçon no cassino dos oficiais, depois de insistir várias vezes, com alguns superiores, a sua indicação para aquela função pois sabia que naquele lugar o trabalho era leve e comia-se bem, saboreava-se as mesmas comidas servidas aos oficiais.

A mulher de um certo oficial, que não era muito apegada às tarefas culinárias, quase todos os dias almoçava no cassino dos oficiais em companhia do marido. No começo era educada com os soldados cassineiros, mas com o passar do tempo foi se tornando exigente no seu atendimento. Reclamava constantemente dos temperos, da limpeza de pratos, talheres e, até mesmo, certo dia, da disposição das cadeiras e mesas no local. Por várias vezes durante a refeição exigia a presença do sargento chefe para proceder reclamações fúteis, ora do atendimento dos cassineiros, ora de algum condimento, não havia dia sem reclamação.

Nunes era o cassineiro preferido da dona Dorinha como era chamada a esposa do oficial, por todos os serviçais.

- Nunes, isto está sem sem sal!!! bradava a madame - Pois não senhora, já vou providenciar mais sal, respondia Nunes de forma paciente.

- Nunes esta faca não está cortando!!! - Pois não senhora, já vou providenciar outra.

E assim era todo dia. Aquilo começou a aborrecer a todos que já não suportavam mais as reclamações da dona Dorinha.

Certo dia, no almoço, dona Dorinha, quase descontrolada, tendo um faniquito, gritou:

- Nuuuuuunes, a água que você me serviu está horrível, está quente, nem os cavalos tomam esta porcaria, leve isto daqui, traga-me água gelada, estou morrendo de sede.

- Pois não senhora, já vou providenciar outra, respondeu o coitado do casineiro. pegou a jarra levando-a para a cozinha.

- Que mulher nojenta, me dá vontade de esganar esta maluca. disse o soldado casineiro, entrando na cozinha e ouvindo as chacotas dos colegas.

- Nunes vem cá, Nunes me dá isto, Nunes me dá aquilo, diziam imitando a voz estridente da madame.

Nunes foi até uma grande geladeira, apanhou uma enorme vasilha com água gelada que colocou na jarra da madame. Estava se dirigindo ao salão do refeitório quando, diante de todos que ali estavam, inclusive o sargento chefe, parou e voltou.

- O que você está fazendo? perguntou um colega.

- Aquela vaca quer água gostosa, pois ela vai ter! dizendo isto abriu os botões da braguilha das calças, com a mão esquerda segurava a jarra e com a direita, num pequeno esforço, tirou seu enorme pênis para fora e colocou-o dentro da jarra com a água da madame, mexeu-o em movimentos circulares dando-lhe três ou quatro voltas no que fazia pequeno redemoinho.

Todos, atônitos, sem acreditar no que os olhos viam, observavam estáticos.

- Quer água boa sua cadela! dizia enquanto balançava seu enorme instrumento dentro da água da madame.

Guardou o enorme apêndice, fechou os botões e levou á água para o refeitório. chegou até a mesa.

- Sua água senhora. disse servindo a madame com uma farta quantidade, quase enchendo o copo.

A madame sorveu de um grande gole, logo outro, fez um sussurro de prazer e disse:

- Hummm, Que delícia meu filho!!!! Agora sim, água maravilhosa, deliciosa, docinha. Logo Pediu que colocasse mais.

Nos outros dias a madame sempre exigia do paciente e eficiente casineiro que lhe servisse daquela água deliciosa.

Nunes durante mais seis meses continuou servindo no cassino, completou a sua obrigação do serviço militar e voltou para Dourados de onde viera.

A madame foi embora, em companhia do marido transferido. Nunca se esqueceu de como era gostosa as águas de amambai.

[Trecho do livro As Praias do Panduí] - Zeca Berbes

domingo, 24 de maio de 2009

Foto Histórica



Não me lembro ao certo que dia foi essa foto. Mas, me parece que é a única em que estamos reunidos todos os filhos com nossos pais.

Vai ficar na história.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Cobra Coral no banheiro em Amambai


Uma cobra coral foi capturada dentro do banheiro de uma residência na manhã deste domingo (12), em Amambai, cidade distante 341 quilômetros de Campo Grande. Segundo os militares do Corpo de Bombeiros que participaram da captura, o animal estava enrolado entre o vaso e o rolo de papel higiênico, pronto para dar o bote.

A cobra foi encontrada pela dona da residência, localizada no Jardim Panorama. Ela isolou o local e acionou os bombeiros. Após a captura, o animal foi devolvido à natureza em uma área de mata da região.

Este foi o segundo caso de captura de animais silvestres registrado neste final de semana em Amambai. Na sexta-feira, um homem se deparou com um Jabuti perambulando pelo quintal da sua residência. O animal foi capturado pelo próprio morador e encaminhado à Polícia Militar Ambiental (PMA) de Dourados. (Com informações do site A Gazeta News)

Fonte: TV Morena

domingo, 26 de abril de 2009

Um rio em minha vida


Meu velho amigo de infância João Grilo.
Hoje, graças a você, revi o Panduí.
Revi e revivi meus sonhos de guri.
E, se hoje sou feliz, é porque nas águas do Panduí, lá sonhei meus sonhos de guri.
Neste rio adocei a minha infância e hoje, se ainda sou menino, se insisto em não crescer é porque nas águas do panduí meus primeiros sonhos eu vivi.

Naquelas águas límpidas e nas areias cristalinas eu mergulhei, em cada curva, em cada poço e com cada lambari os meus sonhos eu dividi.

Se o meu rio, mesmo com águas diáfanas e cristalinas não tinha pedras brancas igual ovos de dinossauro tal qual o rio de macombo, era o meu rio de guri.

Rio dos meus sonhos.

Sem medo das suas águas, sem medo dos seus fundos, nas suas areias estavam meus castelos, meus sonhos, minha princesa, meu amor. Rio da minha vida. Só peço a Deus, por mais terra que eu ande, por mais água que eu navegue, por mais amores que eu tenha, não me deixe morrer sem antes nas tuas águas eu nadar.

Não quero morrer sem antes ver o Panduí!

Um rio em minha Vida


Andar pelo leito do rio, sem rumo, descalço, sem direção e deixando-se navegar pelas águas límpidas e fresca que seguiam numa direção que não sabíamos, e pouco importava para onde ia; enroscando-se nos galhos das árvores que o margeavam, sem medo do próximo passo, sem medo da vida, sem se importar com a primeira curva ou com a profundidade da água, no calor de mais de quarenta graus e parando, de vez em quando para sentar na pedra esquentada pelo sol de dezembro; espantando os lambaris e roubando laranjas, melancias e vergamotas dos sítios que margeavam o panduí.

Essa era a minha vida em Amambai no final dos anos 60.
Hoje, quando lembro da minha infância vivida em uma pequena cidade, perdida nos campos serrados do Estado de Mato Grosso, depois divido e chamado do sul; fecho os olhos e recordo a forma como vivíamos eu, meu irmão e meus amigos, de uma maneira e em uma terra que poucos meninos tiveram a sorte de viver o que vivemos. Não havia televisão, computadores, jogos eletrônicos, internet e mesmo assim éramos felizes, vivendo a simplicidade de uma vida em que somente a natureza era a cúmplice de nossas travessuras e marotagens que faziam a nossa alegria de viver.
Eu, o bugre meu irmão, o zé jardim e outros vivemos esta e muitas outras estórias.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Barraco no STF


Ontem, depois de assistir aquela armação de barraco entre os Min. Gilmar Mendes e o Min. Barbosa, revoltado com aquilo, acessei o site do STF e no link: http://www.stf.jus.br/portal/centralCidadao/ botei a boca no trombone e disse:

O Ministro Barbosa está coberto de razão em relação a sua critica contra o Sr. Gilmar Mendes.
O Min. Gilmar Mendes é midiático, fala demais para um magistrado e, conforme disse o Sr. Barbosa, é uma vergonha para o Judiciário brasileiro.

As decisões do Sr. Gilmar mendes em soltar por duas vezes o Banqueiro ladrão Daniel Dantas é, no mínimo, vergonhosa e coloca em dúvida todo o judiciário do país.

Eu, particularmente, tenho minhas dúvidas com relação às escutas telefônicas denunciadas pelo Ministro, em seu gabinete, até porque os agentes da PF nada encontraram.

Penso que algum dia, se um jornalista do tipo "Carl Bernstein" investigar profundamente as ações do Sr. Gilmar Mendes quando Procurador Geral da União e até mesmo agora como integrante do STF, alguma coisa deve aparecer.

É difícil acreditar que tanta proteção ao banqueiro ladrão seja puramente jurídico.

Pobre dos brasileiros que dependem, em último grau, de uma corte que fica armando barraco e batendo boca, ao vivo, para o brasil inteiro assistir na TV.